VITÓRIA INESQUECÍVEL EM ILHABELA!

26 09 2011

O fim de semana foi de muita emoção. A prova em jogo era nada mais nada menos que o Xterra de Ilhabela. Ressalto a importância dessa prova porque foi lá onde em 2005 a história do Xterra Brasil começou. Foram as difíceis trilhas de Ilhabela que marcaram para sempre um dos mais duros percursos no mundo do triathlon off-road.

Eu fui para a prova com uma grande expectativa. Nesse ano de 2011 tenho me dedicado muito ao circuito e lá poderia ser o teste que eu precisava antes de encarar o campeonato mundial no Havaí.

Fui na quarta feira à noite com meu amigo Boró, de Brasília. Chegamos muito tarde mas era importante estar lá na quinta feira para fazer o percurso do mountain bike. Tinha tempo que eu não fazia o Xterra lá e por isso achei importante me programar para fazer o reconhecimento do percurso. Eu sabia que era duríssimo e confirmei isso na própria quinta feira.

O problema é que o que estava duro poderia se tornar mais duro ainda. Tudo isso por conta da entrada de uma frente fria na sexta feira que fez chover a noite toda antes da prova.

No sábado acordei cedo, tomei café e fui para a área de transição arrumar minhas coisas. Na fila já pude ver vários amigos, atletas, guerreiros que fazem a festa e tornam o evento sempre mais bonito. É sempre maravilhoso encontrar todo mundo e ver que dessa tribo fazem parte várias pessoas legais.

Organizei minhas coisas da melhor forma possível para que a transição ficasse simples e rápida. A roupa de borracha não estava liberada e isso me agradava, já que detesto nadar de roupa. Assim que deixei tudo pronto fui para o mar aquecer. Ainda faltava meia hora para a largada mas eu sabia que era importante aquecer. Fazia frio e ventava, mas a temperatura da água estava boa. Fui nadando até a primeira bóia e voltei. Quando cheguei na praia vários atletas aqueciam e se aprontavam para a largada. Saí da água e me posicionei debaixo do pórtico. Apesar de não gostar da largada de natação dessa vez eu estava tranqüila. Eu acho que estou me acostumando.

Às 9:00 em ponto foi dada a largada ao triathlon Xterra Brasil de Ilhabela e partimos correndo para dentro d’água. Estava muito raso e foi possível andar bastante até começar a nadar. Havia bastante correnteza por conta do vento então era preciso prestar atenção na bóia toda hora.

Eu me posicionei bem dessa vez porque quase não tomei pancada. Isso é importante para que se mantenha a calma. Eu me sentia tranqüila, focada e consciente.

Quando saí no píer vi a Carlinha Prada e fiquei muito feliz. A Carlinha nada muito bem e o fato de estar junto dela significava que estava fazendo uma boa prova. Corri para o píer e saltei de pé lá de cima. Estava raso e bati os pés no fundo. Voltei a nadar e direção às bóias laranjas, essas contra a correnteza. A natação já estava perto do final mas esse trecho não foi fácil. Quando saí da água e passei no pórtico para a transição o tempo não aparecia. Não sabia como tinha nadado mas me sentia forte e motivada para pegar a bike.

Fiz uma transição rápida e quando estava saindo escutei o nome da Sabrina sendo anunciado. A Luzia e a Carlinha estavam na frente e eu ocupava a terceira posição na prova.

Saí forte e procurei imprimir um bom ritmo no começo pois sabia que isso me daria vantagem na hora de entrar na trilha. Cada ultrapassagem ali significava um tempo a menos na frente. Eu conseguia pedalar forçando. Minhas pernas estavam boas e eu me sentia bem. Sabia que poderia ser um bom dia e repetia isso para mim mesma, pois a hora de lutar era agora.

As trilhas estavam molhadas e com bastante gente mas eu me divertia a cada momento. As raízes estavam escorregadias e as pedras também. O mountain bike brilhava nas trilhas de Ilhabela. Eu passava por lugares onde eu lembrava ter caído muitas vezes em anos anteriores e via como era bom agora estar com a pilotagem mais sob controle.

Num certo momento chegamos numa subida curta, porém muito íngreme, onde muitas pessoas empurravam as bikes, escorregando e se defendendo para não cair. Nessa hora avistei a Carlinha e a Luzia na minha frente. O primeiro lugar estava perto, porém não estava fácil.

Fui buscando chegar perto até a hora que consegui ultrapassar a Carlinha. Segui fazendo força e consegui alcançar a Luzia, que também não deixou fácil. Ficamos alternando primeiro e segundo lugares ali um tempão. Foi engraçado porque eu ultrapassava e tentava ganhar nas descidas, mas tomava uns tombos animais e era ultrapassada novamente. A trilha parecia ter sido ensaboada. Estava muito difícil ficar em cima da bike. Os freios pareciam inexistentes.

Certo momento chegamos numa subida longa e íngreme. Essa mesma subida, que foi pedalável na quinta, na prova não foi. E não foi empurrável também! A lama era tanta que as rodas já não giravam! Só me restava colocar a bike nas costas e subir. A bike pesava uma tonelada. E foi assim que seguimos morro acima, eu e Luzia, lado a lado, cada uma se perguntando internamente como aquela batalha iria terminar.

A minha lombar já tinha ido para o espaço e eu tentava não pensar nisso. Aquele momento daria uma foto incrível! Era uma cena de guerra.

Quando cheguei no topo vi que muitas pessoas empurravam a bike para baixo também. Eu montei na minha bike e desci. Melhor arriscar porque o máximo que ia acontecer era eu cair de novo. Mas para a minha sorte isso não aconteceu. Com isso fui me distanciando e assumindo a ponta.

A minha bike já sofria com a lama e começava a dar “chain suck”. Eu conversava com ela e pedia que não me abandonasse naquele momento. Foi muito louco isso. O momento eu e a minha bike, parceiras, guerreiras e querendo chegar em primeiro lugar. Eu pedia a ela que só me levasse à transição que dali em diante eu faria o resto.

E assim cheguei na praia do Perequê para a minha última transição. Ainda faltava correr 9km, esses em trilha, morro acima, abaixo, mas que fechariam a prova. Saí forte e motivada por ocupar o primeiro posto naquele momento. Eu estava focada e determinada e não queria largar essa vitória. Sabia que as meninas vinham forte buscar o mesmo lugar no pódio e que para que ele ficasse comigo eu teria que ter muita garra. Foquei e olhei para frente, quase sem piscar, focada e determinada.

As subidas eram muito fortes. As descidas também. Muitas vezes sentava no chão e descida de bunda, escorregando. Eu estava imunda. Eu era o próprio soldado ali. Minha preocupação era em não me machucar, não torcer um pé, e ainda sim seguir fazendo força.

Ao passar dos quilômetros ia escutando os staffs falando que eu era a líder. Isso me motivava cada vez mais e eu não acreditava estar vivendo aquilo. Não acreditava estar de volta na ilha, anos depois, na liderança de uma prova daquele porte. Era uma sensação maravilhosa e a minha vontade era de congelar aquele momento e ficar vivendo aquela sensação muitas vezes. Foi incrível!

Quando passei a placa do quilometro 7 o sonho começava a se concretizar. Eu pensava para mim mesma que essa era minha e que eu não ia abrir mão. Avistei os batedores de moto, que passaram um rádio para a chegada avisando que a primeira mulher se aproximava. Uma sensação indescritível!

Quando cheguei na praia lá estava ele, o pórtico de chegada. Eu vibrava. Queria rir, chorar, pular, tudo ao mesmo tempo. Vi meus amigos, meu irmão, todo mundo lá. Cruzei a linha de chegada gritando, agarrando a faixa do Xterra, me jogando no chão, abraçando todo mundo.

Aquela vitória foi realmente especial. Foi ali que o Xterra começou. Foi ali que o Xterra entrou na minha vida e foi ali que sonhei muitas vezes em ganhar. Hoje tenho motivos para comemorar muito e seguir acreditando, treinando e buscando meus sonhos.

Só tenho que agradecer a todas as pessoas que torcem, me acompanham, me ajudam e me fazem buscar mais. Obrigada minha família, meus amigos, patrocinadores, todos que fazem junto a mim que tudo isso seja possível. Gostaria de parabenizar todos os competidores que lá estiveram e que assim como eu lutaram para cruzar a linha de chegada. Um parabéns especial à Sabrina, Luzia e Carlinha, que fizeram a disputa muito dura e bonita.

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14 responses

26 09 2011
Xampa

Muito legal !!!
Parabéns !!!
Manu, vc tem dica de trilhas aqui na Cidade do Rio? Sei que não se comparam ao que encontramos em Ilhabela, mas algo prático.

26 09 2011
manuvilaseca

Obrigada!!!!
No Rio não é permitido pedalar nas trilhas da floresta da tijuca 😦
Tem que pegar o carro e ir para a serra…

26 09 2011
Gabriela Monteiro de Barros

Fala Manuzinha,
Emocionante o teu relato!!! Fiquei muito feliz por você. Sei o quanto é dura essa prova! Foi a primeira que fiz na vida!
E agora Havai na cabeça!
Bju,
Gabriela

27 09 2011
manuvilaseca

Obrigada Gabi! Ilhabela é inesquecível né? Grande beijo

26 09 2011
Bebel Mascarenahs

Amiga querida! ME EMOCIONEI COM SEU DEPOIMENTO…. vc merece tudo isso e muito mais!!! Guerreira demaisssss!!!!!!
vamos comemorar agoraaaaaa!
bjão
Bebels

27 09 2011
manuvilaseca

Amiga pombo natalie querida! Vamos sim, PLEASE! Adorei que vc leu o relato 🙂
Bjoss

26 09 2011
Ronaldo Moura

Você não tem ideia do quanto esses posts me fazem bem! Tenho uma super inveja do jeito como você narra suas aventuras. Queria escrever assim.
Parabéns e obrigado pelo blog!

27 09 2011
manuvilaseca

Ronaldo,
Você é uma das pessoas que me motiva a continuar narrando as provas! Pode me cobrar! 🙂
Bjos

27 09 2011
Wolf

Nossa, Manu!!! Depois de ler esse seu relato, senti a emoçao inteira da prova! Deve ter sido uma bela disputa… E quando a disputa é acirrada, a vitória tem outro sabor!!
Fiquei muito feliz por você!!
Você merece!!

Agora é foco total no mundial!!
Vai com tudo!!

Um beijão!

Wolf.

27 09 2011
manuvilaseca

Wolf!!! Obrigada!
Saudades dos nossos treinos! Vamos combinar uma trilhinha no fds?? Arruma um tempo p/ treinar com seus amigos 🙂
Beijão

29 09 2011
Rosemary Franca Gonzales

Lindas as fotos belas emoções marcadas por diferentes sensações. Parabéns por essa bela conquista…mais não esqueçe de deixar um tempinho para os amigos heim :). Beijus no seu coração. Casal 20 Rose e Cido os Bikers.

30 09 2011
manuvilaseca

Obrigada pela força Casal 20!
/bjs

30 09 2011
Carlos

Grande Manu,vc foi incrível duas vezes ganhando o XTERRA e descrevendo toda a prova,senti até arrepios quando li obrigado vc me fez participar de tudo podia sentir todas as emoções da prova com suas palavras.
Força menina,que venha o Havai.
BJUS.
Carlos Rutigliani

1 10 2011
manuvilaseca

Charlie!!!! Nossa, que saudade! Por onde vc anda??? Fiquei tão feliz quando vi seu comentário! Que legal que você está acompanhando 🙂
Mande notícias!!!
Beijos

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