Vitória inesquecível no SRAM 50k

8 03 2010

A prova que prometia ser simples se tornou complicada. A chuva que caiu no estado de São Paulo no sábado tornou mais difícil a vida dos competidores do SRAM 50k. A lama estava presente ao longo do percurso, tornando-o técnico, escorregadio, perigoso e pesado, MUITO pesado. A volta estava com aproximadamente 6.3km e o objetivo era 8 voltas por categoria. A regra era: depois que o primeiro de cada categoria terminasse, os outros eram obrigados a fechar a prova.

No sábado eu dei uma volta no percurso e vi que a coisa estava complicada para o meu lado. A volta era quase toda em trilha que, com a lama, estava muito técnico. O piso estava bem liso em alguns lugares e as descidas se tornaram perigosas. Erosões estavam presentes em muitos lugares. Curvinhas muito fechadas também eram uma característica. A junção de tudo isso se tornou difíci para mim, mas era um desafio a ser superado.

Depois da primeira volta de reconhecimento resolvi trocar o pneu. Botei o Medusa (pneu de lama) para ver se me ajudava. E de fato ajudou. Me senti um pouco mais confiante e resolvi deixá-lo.

Na parte da tarde parou de chover e abriu um dia bonito. O tempo parecia ter firmado então de noite voltei para os meus pneus anteriores. Sabia da dificuldade do percurso e foquei na minha prova.

Domingo amanheceu um dia lindo de sol e eu sabia que estaria bem quente. Preparamos nossas caramanholas e deixamos com nossa equipe para que em cada volta pudéssemos nos reabastecer. Os rumores eram de que a pista havia secado um pouco, mas que ainda havia muito barro. Pedi a ajuda do Rubinho e do Daniel para acertar a calibragem dos meus pneus e alinhei para largar. A categoria elite largava primeiro, e de 1 em 1 minuto começavam a soltar as outras. Isso foi bom porque a trilha era bem estreita e não tinha espaço para muita gente.

Foi dada a largada e eu fiquei focada na minha prova. Botei um ritmo que estava confortável para mim e segui. Vi que o barro do dia anterior havia secado em alguns lugares, e piorado em outros. A medida que as pessoas vão passando às vezes melhora e às vezes piora.

Na primeira volta pedalei atrás da Luana Machado e da Roberta Stoppa. A Luana eu via mais perto, a Roberta via mais longe. Passei a primeira volta em terceiro e já no começo da segunda volta ultrapassei a Luana. Segui pedalando no meu ritmo e fui buscando melhorar na prova. Eu estava me sentindo bem, mas sabia que havia muito pela frente. Eu fui encostando na Roberta e fiquei pedalando atrás dela. Na terceira volta eu a passei e segui pedalando forte. Eu não estava nem na metade da prova e sabia que ainda tinha muito pela frente. Procurei me concentrar somente na minha prova, me alimentando e hidratando bastante para não quebrar. O sol estava forte e a cada volta precisava repor a minha caramalhola, que já estava vazia. Em duas das 8 voltas tive que parar no apoio para jogar água na bicicleta. O câmbio já dava sinais de cansaço por causa da lama que estava no percurso.

Mantive meu ritmo e, passando no apoio, recebia as parciais estimadas em relação às outras atletas. Eu via que estava abrindo a cada volta e isso me estimulava cada vez mais. Na minha sexta volta recebi a informação de que essa seria a minha última volta. Achei que tinham reduzido a prova já que o percurso estava tão pesando. Mas isso foi um engano. Eu ainda tinha a sexta, sétima e oitava volta. Foi ali que vi que a minha cabeça estava boa. Ao saber depois que ainda tinha que fechar as oito voltas, segui pedalando igual. Eu sabia que estava na frente e a possibilidade de vencer aquela prova me estimulava demais.

As palavras de incentivo eram injeções de energia. Ali eu via o quanto as pessoas estavam torcendo para mim e me ajudavam a seguir em frente. Eu vibrava com o momento que estava vivendo. Sabia da importância de tudo aquilo, do valor que essa vitória teria para mim, minha equipe, meus patrocinadores, meu treinador, amigos e família. Eu não estava sozinha.

Quando passei pelo apoio pela última vez escutei do Louro que o sofrimento era por uma boa causa: pela vitória. Esse foi o gás que eu precisei para fechar essa última volta e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. Eu estava morta, mas feliz da vida.

Parabéns à todos os competidores que lutaram para fechar uma prova tão dura como essas. Parabéns aos meus companheiros de equipe, Rubinho e Daniel, pelo primeiro e terceiro lugar na categoria elite.

Obrigada à todos os meus patrocinadores, meu treinador, meus amigos, família, à todos que torcem por mim, gritam meu nome e me incentivam nessa jornada. Sem a ajuda de vocês nada disso seria possível.

Anúncios

Ações

Information

3 responses

8 03 2010
André Ibeas

Arrebentou! parabéns, foi demais, deixou para trás as fortes adversárias, imagino como vc está se sentindo. Sensação maravilhosa, o gosto da vitória!
Espero que nossos treinos tenham contribuído neste caminho rumo ao lugar mais alto do pódio, vc merece! eu, particularmente, estou orgulhoso, assim como todos os amigos ciclistas que gostam e torcem por vc.
um bj grande

8 03 2010
ronaldomoura

Seu MTB está melhorando e seu texto também… já não sei se sou mais fã da atleta ou da blogueira… na dúvida, fico com as duas.
posso reproduzir no meu brasilmtb?
Parabéns demais!!!!!

9 03 2010
manuvilaseca

hahahaha
Claro Ronaldo! “Feel free” de pegar textos e fotos.

Bjão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: