XTERRA BRASIL – Angra dos Reis

1 09 2009

O Xterra é uma prova que faço desde o ano 2005, quando foi realizado pela primeira vez no Brasil, em Ilhabela. Eu caí diversas vezes no percurso de mountain bike, mas fiquei totalmente fascinada com a prova. Nesse mesmo ano eu classifiquei para a prova do Havaí e não pensei duas vezes. Garanti a minha ida e desde então o Xterra entrou para o meu calendário anual.

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 Esse ano a etapa principal foi realizada em Angra dos Reis, no hotel Portobelo. Eu cheguei lá na sexta feira por volta da hora do almoço e logo saí para reconhecer uma parte do percurso, acompanhada da Carlinha Prada e da Ann Yew, Canadense que veio ao Brasil especialmente para participar do evento.

 A Ann já estava em Angra desde quarta feira e já conhecia bem o trajeto. Ela nos levou ao single track, a parte mais técnica da prova. Havia chovido muito durante a semana e o terreno ainda estava com muita lama. Não havia muito mistério nas trilhas, mas o barro dificultava nossa passagem.

 Terminamos o treino e fomos lavar nossas bicicletas e deixar tudo pronto para a prova. A estrutura do hotel é muito boa e havia um salão com cavaletes apenas para guardar as bikes. Eu não estava hospedada no Portobelo e isso facilitou muito a minha logística porque a bicicleta já estava lá.

 De noite um belo jantar de massas e o briefing da prova. Logo fui para o meu hotel arrumar as minhas coisas e descansar porque a prova prometia ser dura.

 Sábado acordei às 6:30 da manhã, tomei café e me preparei para sair. Ao chegar ao Portobelo, uma longa fila de carros já aguardava a entrada. Já batia aquele nervoso, aquela ansiedade pré prova.

 Peguei minha bike e fui para a área de transição, organizar as minhas coisas. Separei tudo que precisava e saí em direção ao mar, para aquecer um pouco. O dia estava lindo e a prova prometia ser fantástica. A natação é a minha maior dificuldade, mas eu havia treinado muito. Sabia que poderia fazer um bom trabalho e estava confiante, apesar de nervosa. A largada do triathlon é sempre um problema para aqueles que não têm muita experiência na natação. É preciso sobreviver ao meio de tantas pessoas se debatendo dentro d água.

 Dez minutos para a largada, já estavam todos alinhados debaixo do pórtico. Eu estava bem no meio e sabia que tinha o risco de ser pisoteada.

xterra

Às nove horas em ponto a prova largou e todo mundo saiu correndo em direção ao mar. Fui empurrada várias vezes e tomei muito cuidado para não cair até entrar na água. Posicionei-me um pouco mais para fora, para conseguir nadar sem ser espancada. Deu certo porque não tive problema algum. Consegui encaixar um ritmo tranqüilo e desenvolver dentro d água. O percurso era interrompido por uma corridinha na areia que fazia o coração acelerar. Nesse momento olhei para o lado e vi que ainda havia muita gente atrás, o que me deixou mais motivada. Entrei mais uma vez no mar, para completar o trecho final. Ao sair da água passei embaixo do pórtico e vi que meu tempo marcava 29 minutos, o que me deixou feliz. Nesse momento percebi que todo aquele esforço dos treinos tinha sido muito válido.

 Corri para a área de transição e demorei um pouquinho para achar a minha bike. A pressa acaba sempre nos atrasando, mas logo achei minhas coisas e comecei a me preparar para pedalar.

 Saí da área de transição e procurei logo encaixar um ritmo na bicicleta. Tentei aproveitar ao máximo o trecho plano antes do single track. Foi nessa hora que a coisa mais estranha aconteceu. Aliás, tratando-se de Xterra talvez nem seja tão estranha assim (rs).

 Eu pedalava pela estrada até que visualizei um boi, e dois ciclistas parados perto dele. O boi estava atravessado na estrada, sem deixar muito espaço para nós passarmos. Eu diminuí e vi que ele não saía. Desci da bicicleta e resolvi passar empurrando, atrás dele. Um dos competidores me alertou para ter cuidado e não passar, mas eu imaginei que nada fosse acontecer. Toda vez em que estamos pedalando e passamos por pastos os bois correm e não achei que fosse diferente. Mas dessa vez foi. O boi virou na mesma hora e me deu uma cabeçada. Eu nunca esperava isso e lá fui eu rolando barranco abaixo. Enquanto rolava pensava, “O que foi isso???” Foi uma cena surreal. Subi o barranco de volta e lá estava a minha bicicleta, nos pés do boi. Ele continuava me encarando, me ameaçado. Eu não sabia o que fazer e fiquei ali parada, até que resolvi arriscar de novo e fui com as mãos em direção da bicicleta, puxei e saí correndo. Eu não acreditava naquilo, muito menos as pessoas que presenciaram o evento. Minha caramanhola havia ficado lá, mas não tive coragem de voltar para pegar. Segui pedalando, sem água.

 Segui pela estrada até a entrada do single track. Ali muitas pessoas estavam acumuladas, dificultando a passagem. Eu pedia passagem, mas ninguém queria abrir. Também não havia muitos pontos de ultrapassagem e eu tive que esperar um pouco até aparecer a oportunidade. Até ouvi de um dos competidores, ao pedir passagem, que eu deveria aprender a nadar e sair antes da água. É, realmente não é todo mundo que colabora, mas tudo bem. Enfrentei os obstáculos das trilhas o mais rápido que podia, sentindo muita sede. Apesar dos pontos de água no percurso de mountain bike, a ausência da minha caramanhola me prejudicou.

 Continuei puxando um bom ritmo até que alcancei a Maria Soledad. Fiquei feliz porque sabia que estava junto com uma das favoritas ao título. Fomos pedalando juntas e eu já observava sua estratégia. Ela ingeria muita água e se preparava para a corrida, antes mesmo de chegar à transição. E chegamos juntas, cada uma correndo aos seus pertences para entrar no último trecho da prova.

 A minha transição foi mais lenta mas logo saí para correr também. Nessa hora já fazia muito calor e o sol castigava. Os quatro primeiros quilômetros eram debaixo de sol forte e eu segurava a corrida no ritmo que conseguia fazer. Eu não corria nem forte nem fraco e tentava manter esse ritmo, que não me quebraria. Eu sentia muita sede e ficava mais fraca ao passar os quilômetros. Ao chegar à marca dos 4, dei de cara com o sumidouro. Essa é uma grande piscina de lama que temos que cruzar. A vontade ali era de deitar e beber toda a água. Dali para frente a corrida ficava mais difícil. As subidas começaram a aparecer e eu fui ficando cada vez mais fraca. Comecei a andar nos aclives, coisa que não faria se estivesse me sentindo bem. Ali senti que a minha prova estava comprometida e tentava lutar contra o cansaço. Fui ultrapassada no quilometro 6 e nada pude fazer. Continuei lutando e a cada subida meu coração disparava. Cheguei até a sentir falta de ar e tive que andar em trechos planos, onde jamais andaria. E dessa forma fui ultrapassada mais uma vez, no último quilometro da corrida. Naquele momento estava vendida e nada podia fazer. Cheguei de volta ao asfalto e segui correndo em direção à chegada. Sentia alívio por estar terminando, mas tristeza por pensar no que poderia ter sido e não foi. A Maria Soledad, com quem entreguei a bike para correr, foi a campeã da prova. Ela fez uma corrida sensacional, conseguiu conquistar esse grande título e está mais uma vez de parabéns.

Parabéns a todas e todos os grandes guerreiros, que lutaram para superar uma prova tão dura. Parabéns aos organizadores pela realização deste evento tão maravilhoso.

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