7 Cerros Medellin – Dia 1

13 01 2009

7 Cerros Medellín

 

A palavra “cerro” não tinha significado nenhum para mim até eu conhecer Medellín. Medellín, para todos nós, tem sua imagem totalmente suja. Fazer uma corrida de aventura em Medellín parecia uma loucura completa. E não posso dizer que não foi, porque essa prova mostrou de fato que o corredor de aventura tem que estar preparado para tudo. Mas valeu à pena entrar nessa viagem. É uma experiência que vamos levar para o resto da vida.

 

Embarquei à convite da equipe SOS Mata Atlântica para a minha terceira prova internacional no ano de 2008. Saída do Rio de Janeiro, escala em São Paulo e Bogotá e destino final em Medellín. Eu estava acompanhada pelos atletas Mateus, Fabinho e Ícaro e lá fomos recebidos pelo nosso apoio Alex e nosso motorista Adolfo, que nos levaram ao Hotel San Rafael. Lá já começamos a ter contato com as outras equipes de fora que também fariam a prova.

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Na quarta e quinta feira tivemos tempo para organizar nossas coisas e ainda fazer um city tour. Medellín, ao contrário do que todos nós pensamos, é uma cidade maravilhosa. Seus arredores são cobertos de verde e montanhas que chegam a 4 mil metros de altitude. A população é extremamente carinhosa e tem um pouco do que o brasileiro tem. As cores são vivas e as pessoas são alegres. Existe um contraste social grande, mas mesmo onde há pobreza há beleza.

 

Sábado era o início da nossa aventura. Acordamos às 4 horas da manhã para tomar café. O 7 Cerros é uma prova por estágio e os mapas e logística são desvendados apenas 2 horas antes da largada. Entramos na van com todos os nossos equipamentos e aguardamos a surpresa da primeira etapa. Recebemos os mapas e vimos que o primeiro dia seria composto por apenas 3 modalidades: Carrinho de rolimã, trekking e mountain bike. O mapa não tem diferenciação de cores, o que dificulta bastante a navegação. Mapas plotados, tudo pronto e saímos em caravana para o local de largada. Já de cara as vans subiram uma enorme montanha, que seria nosso primeiro trecho de carrinho morro abaixo.

 

Todo mundo já estava posicionado embaixo do pórtico de largada e o organizador, Jorge, já fazia a contagem regressiva. Foi dada a largada da 7 Cerros Medellín!

 

Um sprint para o carrinho de rolimã marcou o início da prova e nos posicionamos rapidamente para começar a descer. O Mateus estava responsável por dirigir, Fabinho e Ícaro atrás empurrando quando necessário e eu sentada só no “wuhoo!”

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Os carrinhos desciam em alta velocidade e a sensação era um misto de perigo e diversão. O carrinho da Espanha capotou logo no início e deixou o capitão Antônio de La Rosa com um enorme machucado no joelho. Na hora de passar o quebra molas demos um pulo enorme mas, como nada aconteceu, continuamos descendo em alta velocidade dando risadas. Chegamos ao PC1 em quarto lugar, picotamos o cartão e já saímos correndo ladeira acima. O trekking que estava por vir era longo e já saímos em ritmo forte. Acompanhávamos as equipes da Argentina, Uruguai, e mais uma Colombiana. Não queríamos perdê-los de vista então colamos e não baixamos o ritmo. Essa afobação de início de prova nos fez cometer um erro de navegação que nos custou caro, pois tivemos um enorme desgaste sem necessidade. O Mateus percebeu que havia algo de errado e parou para conferir, junto com a equipe do Uruguai. A equipe Argentina não hesitou e continuou na direção errada e nós decidimos voltar. Do asfalto já podíamos avistar o PC2 no alto de um morro e é para lá que seguimos correndo. Nessa hora a prova estava toda embolada, sendo que o pequeno pelotão de frente já tinha se desgarrado.

 

Do PC 2 ao PC 3 pegamos uma trilha descendo a montanha e de lá saímos rumo ao PC 4. A partir desse ponto a prova começou a mostrar sua cara. A subida começou intensa e foi fácil sentir o cansaço desde já. Era muito íngreme e sacrificava nossas pernas o tempo todo. Paramos para abastecer nossos camel backs duas vezes e continuamos rumo ao PC 4, que estava situado numa escola no alto de uma montanha. A subida até lá foi muito forte e quando chegamos vimos algumas equipes. A possibilidade de recuperar algumas posições foi nos animando.

 

Tomamos uma coca cola e saímos rumo ao PC 5, que ainda buscava mais um cume. Esse foi o mais desgastante de todos. Até então só tínhamos subido e desse momento para frente a subida ficou ainda mais vertical. O Fabinho começou a dar sinais de cansaço e nós tentávamos animá-lo, dizendo que a subida estava chegando ao fim. O visual dali de cima foi um dos mais bonitos que presenciamos em Medellín. Estávamos andando na crista de uma montanha com um vale gigantesco de cada lado. A subida ainda durou muito tempo e,mesmo com o Fabinho se sentindo mal, conseguimos passar equipes fortes como a francesa LA Fuma e a Trek Uruguai. Começamos a revezar para carregar a mochila do Fabinho, o que nos fez descuidar de uma coisa muito importante: alimentação. O Fabinho ficou sem sua mochila e não se alimentou e nem se hidratou bem.

 

Chegamos ao PC 5, no pico de uma montanha a 3 mil metros de altitude, onde o exército nos esperava. Algumas equipes estavam deitadas no chão, se recuperando da subida e nós começamos a descer trotando para adiantar nossa ida ao PC 6. Nessa hora as pernas estavam completamente destruídas e sentíamos uma forte dor na coxa para descer. E a descida foi muito longa e muito inclinada, o que só piorava a situação. Apesar de saber que algumas equipes desciam na nossa cola conseguimos manter nossa posição e entrar na cidade para assinar o PC 6.

 

De lá fomos correndo por dentro da cidade, pelo asfalto, rumo ao PC 7 que era o topo do Metro Cable. O Metro Cable é um metro teleférico que leva as pessoas para cima e para baixo, já que a cidade se espalha para cima dos morros. Este foi um momento de descanso para a etapa de mountain bike que estava por vir.

 

Saímos do Metro Cable e encontramos nossa equipe de apoio, pela primeira vez na prova. Fomos recebidos com muitas palmas e ocupávamos a décima posição na prova. Foi o tempo de reabastecer de água e já sair pedalando para o trecho final da prova.

 

Começamos pegando os PC´s dentro da cidade, que estavam posicionados em esquinas movimentadas. A partir dali seguimos rumo à chegada. Sabíamos que havia uma grande serra a ser cruzada, mas não sabíamos que essa subida não era pedalável.

 

Começamos por um asfalto e eu achava que seria assim até o PC. Paramos o Fabinho num barzinho para ele tomar uma coca-cola e comer um pouco porque dali para frente sabíamos que a subida ficaria mais íngreme. Mas seu corpo, por ter ficado muito tempo sem alimentar e hidratar, já não aceitava muita coisa.

 

Continuamos pedalando até que chegamos numa subida de pedra, onde tivemos que descer e começar a empurrar. Eu imaginava que isso seria uma parte curta da subida mas foi assim até o final! Muitas pedras enormes,muita lama e já estava escuro. Carregamos as bikes durante toda essa subida, que foi bastante longa. A cada curva torcíamos para que melhorasse pelo menos pouco mas nada disso acontecia. O Fabinho já não agüentava mais andar e começamos a carregar a bike dele também.

 

Quando finalmente chegamos no topo a subida e assinamos o PC descobrimos que a descida seria ainda pior. A lama ia até o nosso joelho em alguns trechos e as bicicletas começaram a ficar muito pesadas. Foi aquele trecho que a gente xinga a família inteira do diretor de prova! Depois disso um trecho de asfalto com subidas leves até a chegada na cidade.

 

Esse foi apenas o primeiro dia de prova em Medellín e já estávamos bastante cansados. As pernas foram detonadas já no primeiro dia e sabíamos a dificuldade que seria completar os 3 dias de prova. Nessa noite ainda fomos ao hospital levar o Fabinho, que teve que tomar 1.5L de soro. Fomos dormir a 1 hora da manhã, para acordar às 4.

 

O segundo dia de prova merece um capítulo à parte e esse será contado depois, também aqui no blog!

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Ações

Information

8 responses

12 02 2009
Lucia Vilaseca

oi Manu admiro você pela garra e coragem!!! é emocionante acompanhar todos esses percursos que você tão bem descreveu.
beijocas
mae

12 02 2009
manuvilaseca

Mãe,
Obrigada pelo apoio! Beijão!

1 07 2009
Icaro de Oliveira

Ola Manu !

Só agora vim conhecer seu Blog. Estava navegando na net e do nada ele apareceu com esse relato da 7 Cerros em uma pesquisa google q fiz.

Achei bem bacana esse primeira parte, vou ver os proximos dias com certeza ..

Abração

2 07 2009
manuvilaseca

X9, adorei a visita no blog!!!

Vamos correr outra prova!

Bjão

21 08 2009
Diego Urbano

Oi Manu! Não conheço você e mto legal essa história. Fiquei interessado pelo carrinho de rolimã. Será que podíamos conversar sobre ele?
Participo todo ano numa competição que chamamos de Gp Poli de rolimã.
Se pudesse gostaria de saber mais sobre o seu carrinho.
meu msn eh dfm.urbano@hotmail.com
se puder me adiciona e vamos conversar um pouco
bjos

21 08 2009
manuvilaseca

Oi Diego

O carrinho foi fornecido pela prova. Para te falar a verdade não sei te falar muito sobre ele. Era um carro que comportava uma pessoa dirigindo, uma atrás sentada e mais duas em pé, que empurram o carrinho. Tem um pedaço de pneu que era usado como freio. O carrinho pegava muita velocidade. Em algumas descidas tivemos que frear o tempo todo senão perderíamos o controle. Você pode ver mais fotos dos carrinhos no site da prova: http://www.7cerrosmedellin.com

Bjos!

21 08 2009
Diego Urbano

entendi. vc teria outras fotos com ele?assim eu poderia estimar as dimensoes do carrinho. Ele parece ser mto veloz mesmo.
gostaria de saber a diferença entre os eixos e a distancia entre as rodas.
pelo que vi as rodas da frente parecem ser mais distantes do que as rodas de trás.
e outra. o site nao esta funcionando. 😦
desde ja agradeço

21 08 2009
Diego Urbano

Oi de novo. Achei o site. La tem varias fotos mesmo. Mto obrigado 🙂
bjos e boa sorte nas suas competições.

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